terça-feira, 15 de maio de 2018

Ao final, educação


Educação financeira pode reduzir endividamento excessivo, diz Goldfajn
Publicado em 14/05/2018 - 11:59
Por Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil Brasília







Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, abre a 5ª Semana Nacional de Educação Financeira (Arquivo/Agência Brasil)



A melhoria dos níveis de educação financeira leva a uma demanda e uso mais responsável do crédito, com menor risco de endividamento excessivo e, portanto, uma menor inadimplência. A avaliação foi feita pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, hoje (14), em Brasília, durante a abertura da 5ª Semana Nacional de Educação Financeira.

“Esses efeitos contribuem para a redução do custo do crédito”, disse Goldfajn, acrescentando que ao aumentar a propensão do cidadão a poupar, a educação financeira estimula o desenvolvimento econômico do país e para o bem-estar da população.

Goldfajn também citou a inovação tecnológica, que tem levado ao surgimento de novas instituições, as chamadas fintechs (empresas de inovação e tecnologia no setor financeiro). Ele lembrou que recentemente o BC regulamentou as fintechs de crédito para aumentar a competição no mercado de crédito. “Aliada a mecanismos de proteção resultantes da regulação e da supervisão do sistema financeiro, a educação financeira é, sem dúvida, fator fundamental na preparação de um ambiente seguro e sustentável para o consumidor desses novos serviços”, disse.

A Semana de Educação Financeira é realizada anualmente desde 2014, com ações educacionais, gratuitas, presenciais e online. Neste ano, as ações serão realizadas de hoje (14) ao dia 20. Em 2017, foram mais de 3.600 ações, organizadas por 101 instituições, que alcançaram cerca de 3 milhões de pessoas. A programação está disponível no site do evento: www.semanaenef.gov.br.
Edição: Fernando Fraga


sexta-feira, 23 de março de 2018

Estudantes do ensino médio desenvolvem método para purificar água no semi-árido

Os estudantes representaram o Brasil no Prêmio Jovem da Água de Estocolmo em 2017Divulgação
Um grupo de estudantes de Campinas, no interior paulista, desenvolveu um método de baixo custo para tratar água de cisternas no semi-árido brasileiro. O sistema, desenvolvido por três alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Bento Quirino, produz cloro a partir da eletrólise – processo químico feito com eletricidade – de uma solução de água com sal. O protótipo prevê ainda o uso de energia solar para o processo, contemplando comunidades que não só dependem da água da chuva, mas que também não tem acesso ao fornecimento de eletricidade.
A ideia foi premiada, no ano passado, pelo Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, levando Beatriz Ruscetto da Silva, Matheus Henrique Cezar da Silva e Gabriel Gertrudes Trindade para conhecer a capital da Suécia. Lá, eles tiveram a oportunidade de conhecer projetos semelhantes de todo o mundo, além de ouvir opiniões qualificadas sobre a própria proposta. “Foi surreal, até hoje parece que foi só um sonho. Nenhum de nós três já tinha viajado de avião e nessa viagem ficamos mais de 10 horas no avião. O pessoal da organização do prêmio nos tratou muito bem, com muito amor e até hoje somos amigos desse pessoal”, lembra Beatriz sobre a experiência.
Durante a viagem, o grupo teve a oportunidade de conhecer projetos de outros países e se impressionou com o que foi desenvolvido pelos norte-americanos Ryan Thorpe e Rachel Chang. O sistema elaborado pelos estudantes identifica na água as bactérias sighella, da cólera e da salmonela, mais rápido do que os métodos convencionais e também permite a eliminação imediata dos micro-organismos.
Foi o contato com outro projeto, de um colega de classe, que deu início ao desenvolvimento do STAC-IBR, que ganhou o prêmio sueco. “A ideia nasceu graças ao projeto do nosso amigo Lucas Gabriel: ele fazia eletrólise mas descartava o gás cloro. Pensamos logo em como utilizar o cloro da eletrólise. A primeira ideia foi em tratar água. A partir daqui começamos a pesquisar como isso seria feito e para quem seria feito”, conta a estudante.

Desafios
Para conseguir desenvolver o protótipo, os estudantes do curso técnico em eletrônica tiveram que investir em conhecimentos fora das disciplinas convencionais. “Não foi nada fácil”, enfatiza Beatriz. “Tivemos que aprender química em pouco tempo. Antes do projeto nunca havíamos entrado em um laboratório de química, aprendemos muito”.
O novo desafio envolveu também o estudo das condições atmosféricas. “Tivemos dificuldade nos testes porque não chovia muito e precisávamos da água da chuva. Outra dificuldade foi estar em São Paulo e fazer um projeto inteiramente dedicado ao Nordeste brasileiro”, comenta.
Apesar da premiação, o projeto ainda precisa ser testado no local para passar pelos ajustes necessários à implantação. Segundo Beatriz, seria importante, por exemplo, verificar a fixação do equipamento no solo. “E se as altas temperaturas influenciariam muito no processo e, principalmente, como a população se adaptaria”, enumera.
Mas agora que deixaram o ensino médio e entraram no superior, os estudantes têm menos tempo para dedicar ao projeto e tentar viabilizar o uso prático do equipamento. “Como o projeto começou durante o ensino médio, ficávamos o dia todo juntos. Agora cada um está em uma universidade diferente, atrás de trabalho. Os encontros diminuíram”, conta Beatriz, que agora estuda na Faculdade de Química na Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Prêmio em 2018
Para a edição deste ano do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, está aberta até 20 de março a votação popular para selecionar o melhor trabalho brasileiro. Qualquer pessoa pode votar, acessando a página do prêmio no Brasil.
Os representantes do Brasil serão conhecidos na manhã da próxima quarta-feira (21), na Vila Cidadã do 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília.
Edição: Lidia Neves

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Nossos vizinhos



Governo fará censo de migrantes venezuelanos no Brasil
  • 31/01/2018 15h51
  • Brasília




Fernando Diniz - Repórter da Agência Brasil
O governo federal decidiu realizar um censo dos migrantes venezuelanos que entraram no Brasil em razão da crise política e econômica no país vizinho. Diante das informações do levantamento, o Palácio do Planalto analisará novas medidas a serem tomadas.

Saiba Mais
Com a deterioração da economia do país presidido por Nicolás Maduro, venezuelanos têm cruzado a fronteira e se estabelecido no Brasil, principalmente no estado de Roraima, nas cidades de Pacaraima e Boa Vista. O governo não informou quando será iniciado o censo.

O tema foi discutido em reunião interministerial realizada ontem (30), coordenada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Participaram os ministros Torquato Jardim (Justiça), Raul Jungmann (Defesa), Ricardo Barros (Saúde), Osmar Terra (Desenvolvimento Social), Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) e do secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Marcos Galvão.
A situação tem sido monitorada pelo governo federal, que dá apoio técnico e financeiro ao estado de Roraima para atender a essa população. Durante a reunião ministerial, ficou decidido que serão intensificadas as ações na região.

No ano passado, foram repassados R$ 793 mil para abrigos destinados a migrantes indígenas e não indígenas. Além disso, foram destinadas 82 toneladas de alimentos para os venezuelanos abrigados em Pacaraima e Boa Vista, além de um repasse de R$ 42,4 milhões pelo Ministério da Saúde.
Edição: Lidia Neves


domingo, 31 de dezembro de 2017

Brasil se acertando com o golpe



Aprovação de medidas de ajuste é desafio para equipe econômica em 2018
  • 31/12/2017 18h49
  • Brasília
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Apesar da recuperação da economia no segundo semestre de 2017, a equipe econômica do governo ainda tem desafios para vencer em 2018. Com discussões adiadas pelo Congresso e com a decisão do Supremo Tribunal Federal de suspender a protelação dos reajustes ao funcionalismo federal, as medidas de ajuste fiscal representam uma fonte essencial de receitas para o governo fechar as contas e cumprir a meta de déficit primário de R$ 157 bilhões para este ano que se inicia.

Originalmente, o governo pretendia que as medidas resultassem em ajuste de R$ 21,4 bilhões para 2018. Desse total, R$ 14 bilhões viriam do aumento de tributos e R$ 7,4 bilhões, de cortes de gastos obrigatórios. O adiamento das votações para o ano novo e a decisão do STF reduziram o ajuste para R$ 13,6 bilhões na melhor das hipóteses.

A maior perda, de R$ 6 bilhões, corresponde à antecipação do Imposto de Renda (IR) sobre fundos exclusivos de investimento. Por causa do princípio que estabelece que aumentos de impostos só podem entrar em vigor no ano seguinte à sanção do presidente da República, o IR só poderá ser cobrado em 2019, caso a Medida Provisória (MP) 806 seja aprovada este ano.

As demais perdas decorrem da regra da noventena, que determina que aumentos de contribuições só podem vigorar 90 dias depois da sanção. A estimativa original do Tesouro Nacional previa a aprovação em dezembro do projeto de lei que reverte a desoneração da folha de pagamentos para quase todos os setores da economia e da MP que aumentaria, de 11% para 14%, a contribuição dos servidores para a Previdência do funcionalismo, para entrarem em vigor em abril.

Saiba Mais
Com a eventual aprovação das propostas no início de fevereiro, as contribuições para a Previdência (pública e dos trabalhadores privados) só aumentariam em maio. O adiamento em um mês reduzirá o alcance do ajuste em mais R$ 1,8 bilhão.

A conta não inclui o impacto de R$ 4,4 bilhões do reajuste para o funcionalismo público federal, que deve ser julgado em fevereiro. Isso porque os servidores terão de devolver o valor pago a mais, caso o Supremo decida favoravelmente ao governo. Se o governo for derrotado no STF, o ajuste diminuirá ainda mais.

Contingenciamento
Se nenhuma medida de ajuste for aprovada, o governo perderá integralmente os R$ 21,4 bilhões que constam do Orçamento Geral da União de 2018. Nesse caso, a equipe econômica terá de contingenciar (bloquear) as despesas discricionárias (não obrigatórias) para cumprir a meta fiscal e não ultrapassar o teto federal de gastos.

Em tese, o governo teria de contingenciar os R$ 21,4 bilhões que deixarão de entrar no caixa. No entanto, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse que pode ser que não seja necessário bloquear todo o valor, por causa do aumento das receitas. Além da recuperação econômica, que tem impulsionado a arrecadação nos últimos meses, o governo pretende reforçar o caixa com R$ 8 bilhões de leilões de campos de petróleo e com a cessão onerosa do excedente de petróleo na camada pré-sal, cujo valor ainda não está estimado.

Além disso, com a descoberta de que existem mais barris na camada pré-sal do que o originalmente estimado, a Petrobras terá de desembolsar mais ao Tesouro Nacional neste ano que se inicia. Em 2010, a Petrobras pagou R$ 74,8 bilhões à União pela cessão dos 5 bilhões de barris do pré-sal.
Edição: Lidia Neves